O meu filho aprendeu a bater!

Muitas coisas andam acontecendo por aqui, e uma delas é a falta de tempo para contar à vocês todas as coisas que andam acontecendo por aqui…. entenderam né? rsrs
Pois bem, além de aprender a falar tia/titia (que eu contei hoje na página), Gael aprendeu outra coisa, mas esta tem deixado eu e o marido com os nervos à flor da pele: Gael aprendeu a bater!
Há umas 2 ou 3 semanas ele começou a bater na gente quando algo não sai como ele quer. Qualquer coisinha é motivo para ele levantar a mão e tentar estapear quem estiver perto dele.
Obviamente nós não deixamos assim. Nós sempre explicamos à ele que não pode bater, que bater é feio, que não se pode bater nas pessoas quando quer as coisas. Ele entende, pára, e por um bom tempo não faz mais. Mas ele volta a fazer, ou horas depois, ou no outro dia. Confesso que tem sido bem difícil.

Sexta-feira foi o ápice, foi o dia mais difícil, e o dia que eu briguei com ele. Pela primeira vez eu gritei com Gael.
Estávamos todos na sala, quando o marido levantou para arrumar a janta do Gael.
Mas Gael não queria que o marido largasse ele, queria ir junto. Eu fui, peguei ele no colo, e assim que o peguei ele começou a me dar tapa. Ele nunca tinha feito aquilo, não daquela maneira. Me deu vários tapas e até um arranhão. Eu fiquei muito brava. Na hora eu fiquei irada, não admito esse tipo de atitude, mesmo ele não sabendo muito bem o que estava acontecendo.
Então, num lapso de paciência que me veio sei lá de onde, eu respirei fundo, olhei bem nos olhos dele, e falei, não, na verdade eu gritei: não pode bater Gael! Não pode bater na mamãe. Ele fez mais uma investida e tentou novamente, quando ele tentou eu peguei o bracinho dele e o baixei, segurei à tempo de evitar mais um tapa.
Novamente eu falei que não pode bater, que bater nas pessoas é errado, que é feio. Que ele não pode fazer isso. N-Ã-O -P-O-D-E-B-A-T-E-R- (x 10).

Depois disso ele ficou quieto. Apenas deitou em meu ombro e assim permaneceu por um bom tempo. Ele não tentou bater novamente.

No Sábado ele deu um tapa na minha mãe. Ela o repreendeu, é claro, e depois disso ele não tentou mais.

Hoje, por um momento ele quaaaaaaase me deu um tapa. Quando ele levantou a mãozinha na direção do meu rosto, eu olhei séria pra ele. Ele desistiu.

Isso (bater) é uma fase. Geralmente as crianças começam a bater justamente para expressar que algo não lhe agrada. E esse sentimento se intensifica quando a criança não fala, que é o caso do Gael.

O sistema emocional da criança está em desenvolvimento, tudo pra eles é novo, e muitas vezes (muuuuuuuuuuuuuuuuuuuitas vezes) nem eles sabem o que ‘querem da vida’. Por isso alguns tem aqueles picos de raiva, por isso às vezes alguns tem aqueles excessos de choro, por isso tem as ‘manhas’, e por isso… eles batem! As crianças (assim como os adultos) têm necessidade se expressar, e que maneira melhor para expressar um sentimento de ‘raiva’ do que batendo? Que maneira melhor para expressar que você não gosta de alguma coisa ou de alguém?
A lógica deles nessa fase é mais ou menos assim: se eu gosto eu sorrio e bato palminhas. Se eu não gosto, eu jogo longe (objetos) e bato na pessoa. Pronto. Simples e fácil! É complicado, mas é assim. Podem ver que isso faz todo o sentido.Nessa fase, a Nossa Senhora da Paciência sem fim, e a Nossa Senhora ‘keep calm e respire fundo’ devem entrar em ação, e operar nos pais aflitos.

É nessa fase que os filhos aprendem o certo e o errado. O pode e o não pode. O sim e o não.
Se você deixar o seu filho bater, ele vai aprender que pode bater nas pessoas (e jogar as coisas) sempre que algo não lhe agradar. Ou sempre que quiser alguma coisa (tipo chantagem, sabe?).
Se você bater de volta no seu filho, ele vai aprender exatamente a mesma coisa. Afinal, como você vai ensina-lo que não deve bater nas pessoas se você está batendo nele? Não dá né gente…
O negócio é manter-se firme e seguir adiante, sempre ensinando ao seu filho o caminho certo.
Aqui em casa nós fizemos exatamente como citei: sempre que Gael bate em alguém, o ‘agredido’ olha fixamente nos olhos dele e fala que não pode bater, que bater é errado. Muitas vezes ele chora e faz beiço, mas ao mesmo tempo ele ouve quem fala e fica com o olhar baixo (vergonha) e fixo, fazendo expressão de que está entendendo o que estamos falando. Sabe porque ele faz isso? Porque ele realmente está entendendo o que estamos falando. Ele já entendeu a mensagem, mas mesmo assim, volta e meia ele tenta bater em alguém. Afinal, já diz o ditado: o tente é livre.
É bem cansativo, confesso. Mas Gael não vai nos vencer no cansaço. Se ele tentar me bater mais 10 mil vezes, as 10 mil vezes ele ouvirá a mesma coisa. Jamais ele nos dará um tapa e ficará por isso mesmo. Jamais ele sairá ileso, sem qualquer repreensão.
A educação dos filhos é uma luta constante que não se limita aos primeiros anos de vida. Muito pelo contrário, esse é apenas um dos muitos desafios que virão pela frente até você conseguir formar um cidadão do bem.
camila vidal

 

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