Meu filho ficou trancado no carro!

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Era uma manhã de Sábado, eu tinha que ir à PoA então pedi para o marido me levar de carro até a estação para pegar o trem.
Me arrumei, arrumei Gael, e o marido o pegou e foi arrumando ele no carro. Depois de acomodar o Gael ele aproveitou para dar uma limpadinha nos vidros, pois os mesmos estavam empoeirados e com a neblina da manhã virou uma meleca.
Eu vim dentro de casa pegar meu casaco e minha bolsa, e quando estava indo pra rua ouvi um ‘tlick’. Então parei! Fiquei estática no meio da sala e pensei: ‘não! Não pode ser verdade’.
Dois segundo depois ouço o marido: ‘Ai Meu Deus, o que foi que eu fiz’.
Saí correndo pra rua e o que eu tinha imaginado havia acontecido: o carro estava trancado com Gael e a chave dentro! #semchavereserva
O marido estava louco, se batendo de um lado pro outro sem saber o que fazer, falando ‘meu Deus o que foi que eu fiz?’ , ‘e agora?’…
Eu, na condição de Mãe e pessoa menos apavorada no momento me pus a pensar: Bom, não tem sol ali, não está quente, portanto Gael não corre nenhum risco imediato, então temos tempo para agir.
Adriano (maridão) estava muito nervoso e preocupado, então eu o acalmei usando os argumentos citados acima e então começamos a agir. Testamos o porta malas, testamos as portas e todas as aberturas possíveis, e obviamente nada abria. Quando de repente percebi que o vidro de trás estava 1 dedo aberto, então começamos forçar para ver se ele baixava mais, pelo menos até caber um braço para abrir a porta.
Enquanto eu estava ali tentando baixar o vidro ‘na marra’ o marido foi pedir ajuda para o vizinho, e ver se ele tinha numero de algum chaveiro (aqui eu já tinha ligado pra minha irmã umas 3 vezes para ver se ela sabia de algum chaveiro também). O vizinho tinha o numero de um, ligamos mas ele não poderia vir de imediato.
Esse vizinho é super prestativo e vendo a situação veio com tudo para nos ajudar a abrir o carro. Insistimos na questão do vidro,  mas o danado não baixou quase nada.
Gael que até então estava calmo e nem tinha percebido que estava trancado sozinho dentro do carro, vendo aquele tumulto começou a chorar, chorar e chorar.
Nessa hora a mãe onça, mãe leoa começou a aparecer! Quando vi meu filho chorando desesperado dentro do carro comecei a xingar o marido: o que tu fez? Como tu fez isso? Olha o que tu fez… e comecei a chorar também. Eu chorava e tremia desesperadamente de tão nervosa que fiquei ao ver meu filho chorar e não conseguir fazer nada daquele momento.
Então o marido pediu pra eu ir pegar o martelo para quebrarmos o vidro.
O vizinho sugeriu que tentássemos arrombar a porta, porque certamente sairia mais barato do que a colocação de um vidro novo. Quando eles estavam quase abrindo a porta o vidro estourou, então terminamos de quebra-lo e resgatamos o Gael. \o/\o/

Pra vocês entenderem o rolo: o carro tem travas elétricas. Quando o marido girou a chave para acionar os limpadores as travas acionaram, ou seja, o carro trancou. Mas como ele deixou a porta da frente aberta (enquanto limpava o vidro de trás) as travas se abriram. Até aí tudo bem: porta aberta e travas abertas. Maaaassssssssss quando foi limpar o vidro da frente, ele passou pela porta que estava aberta e faz o que no impulso? o que? o que? o que? ‘kapuuum’ empurrou a porta para fecha-la! E porta fechada=travas acionadas= carro trancado!

Daí vocês dizem: mas por que não quebrou logo o vidro de uma vez? Pois é né gente, o vidro de um carro não é nada barato e como tínhamos um tempinho, fomos tentando outras possibilidades, até por que como falei acima: Gael não estava correndo risco, e apesar de estarmos nervosos tínhamos o controle da situação (afinal, o martelo já estava a postos para quebrar o vidro!).
Esse rolo todo aí: chama vizinho, pega martelo, liga pra irmã (sim eu liguei pra ela), liga pro chaveiro, tenta abrir o vidro na mão, tenta arrombar porta e quebra o vidro não durou nem 15 minutos!!!!! Parece demorado, mas não foi.

Do momento que Gael começou a chorar até quebrarmos o vidro não demorou nem 3 minutos, mas foram 3 minutos muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito longos. Eu falava com ele pelo vidro tentava acalmá-lo mas pouco adiantava… ele se acalmava e voltava a chorar. Aquela sensação de impotência eu jamais vou esquecer.
Eu sabia que estava tudo bem e que ele estava chorando porque estava assustado com a movimentação, eu sabia que o carro estava sendo aberto e que eu já ia pega-lo, eu sabia que estávamos no controle, mas mesmo assim eu tinha necessidade de pega-lo imediatamente.
Eu não sei se conseguirei explicar… mas o que sentia era uma coisa muito forte dentro de mim, um instinto louco, aquela coisa selvagem mesmo, tipo leoa querendo proteger a cria, sabe?! Eu sinto que se eu tivesse que virar o carro com os meus próprios braços para tira-lo dali eu teria feito, ou pelo menos teria morrido tentando.
Nesse dia eu pude entender o que as pessoas falavam sobre fazer tudo pelos filhos, por que quando vivemos uma situação dessas a gente sente que pode fazer tudo mesmo. Não há limites… é uma coisa absurda! É mais um daqueles clichês que se tornam verdade depois que nos tornamos mãe.

Depois que tudo se acalmou o marido pegou o Gael o abraçou bem forte, pediu desculpas, chorou… e nunca mais colocou o guri no carro! É sério, agora sempre que saímos eu que tenho que arrumar ele no carro porque o marido não faz mais de jeito nenhum. kkkkkkkkk  #maridotraumatizado #eutenho

Hoje nós rimos com tudo isso e a família até tira sarro de nós por causa dessa estória. Mas no dia foi desesperador, foram 15 minutos de adrenalina pura aqui no pátio de casa!
Obvio que dessa situação tiramos várias lições e somos bem mais atentos. Por que é aquela máxima: “nunca acontece… até acontecer”

camila vidal

 

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