Sair sem o filho, por que não?

sair sem

Preciso começar esse post fazendo uma retrospectiva…

Eu já contei aqui que meus dias de puérpera não foram nada fáceis. Eu fiquei meses sem sair de casa! Eu só saía de casa para coisas extremamente necessárias: pediatra, médico e mercado. Só. Tinha dias que eu não ia nem no pátio de casa, aliás, tinha dias que eu nem abria a janela de casa, é sério gurias, eu não estou exagerando… o maridão já estava preocupado comigo.

A primeira vez que eu ‘descolei’ do Gael ele tinha 5 meses. Tive que ir à PoA fazer minha rescisão, então depois de muito pensar achei melhor não leva-lo. Andar de trem, de ônibus e esperar sabe-se Deus quanto tempo para ser atendida não seria bom nem pra mim (que ficaria uma pilha de nervos), nem pra ele, aliás, muito menos pra ele. Então minha irmã veio e ficou com ele aqui em casa.

Sabe a expressão: ‘me senti nua’. Pois é… foi assim! Me senti nua, aliás, eu me senti muito estranha… parece que estava faltando um pedaço de mim. Seria um braço? Uma mão? Uma perna? Não… estava faltando Gael.
Me senti horrível por deixa-lo, mas ao mesmo tempo eu pensei: será que não estou exagerando?  Será que essa necessidade de te-lo sempre junto é saudável? Ou melhor, até que ponto isso é saudável pra mim e pra ele?  Fiquei um tempo pensando nisso, mas depois passou.

Quando comecei a ir toda semana na empresa foi outro choque de realidade. Era necessário essa separação, eu precisava sair e deixa-lo, e isso não era opcional! A menos que eu saísse do emprego, o que não é uma opção.  Agora já estou me acostumando com a ideia, mas no inicio não foi fácil.

Certo dia, em meados de Março, o maridão chega em casa e larga: ‘vamos a um restaurante mexicano’?
– Eu: oi? Como? Sair sem Gael? como assim? O que ta acontecendo aqui? O.o
No inicio achei estranho, mas depois pensei melhor e me perguntei: Por que não?  Ele tem quase 1 ano, nunca saímos sem ele, eu tenho pessoas de confiança pára deixa-lo, serão apenas algumas horas, eu estou totalmente mergulhada na maternidade sem folga, sem recesso, sem descanso, 24h por dia, 7 dias por semana… por que não ter um tempo só pra mim e para o maridão? Então decidi que sim, que teríamos uma saída sem ele.

Então, chegou o dia! Depois que deixamos ele com a mana, ao chegarmos no carro eu e o maridão nos olhamos, olhamos para dentro da casa, nos olhamos novamente e ele me perguntou: será que vamos? E eu: será que ta certo isso? Deixarmos nosso filho para sairmos sozinhos? Será?
Ficamos mais alguns minutinhos ali no carro pensando, nos achando os piores Pais da face da terra, então eu falei: vamos! Nós nos programamos bastante pra isso, eu me arrumei toda, nós viemos até aqui, ele já está lá bem faceiro e ‘se pá’ nem lembra da gente! Vamos.

Então fomos. Querem saber? Foi bom! Foi muito bom! Obviamente, o grande assunto da noite foi Gael, mas conseguimos conversar sobre outras coisas, comemos tranquilamente, namoramos um pouco, eu tomei umas margaritas…
Sem contar que sair com salto alto sem medo de cair com o filho no colo (eu aaaaaaaaaaaaaamo salto alto, meu mais baixo tem 10 cm), sair maquiada sem medo de borrar, sair com cabelo em ordem sabendo que ele vai permanecer assim, sair sem bolsa de bebê e mais aquele um milhão de coisas penduradas, sair sem ficar na neura: dar mamá, trocar fraldas, dar água, dar janta, foi bom! Não posso dizer que não foi, porque foi  bom. Ficar umas horinhas sozinha com o maridão foi ótimo! Foi revigorante.
Chegamos de volta na minha irmã pouco depois da meia noite, cheios de saudade do nosso bacura, mas também estávamos felizes por que conseguimos um tempinho pra nós. Obviamente já pensamos em ir ao mesmo restaurante, mas leva-lo junto! Sabemos que o ambiente comporta crianças e será um lugar bacana para leva-lo.

Dois meses depois dessa ida ao restaurante, fomos a um boliche com um grupo de amigos. Mesmo procedimento: deixamos ele na mana, fomos lá jogamos (ou pelo menos tentamos rsrsrsr), e duas horas e meia depois estávamos de volta para pega-lo.

Nós demoramos quase 1 ano para sair sem ele, mas conheço casais que saem sem o  filho desde que o mesmo era bebezinho, e também conheço o outro extremo: o filho tem 4 anos e os pais nunca saíram sem ele. Quem tá certo nessa estória? Todos! Todos estão certos! Cada pessoa sabe o que é melhor para sua vida e para seu filho, e cada pessoa tem seu tempo.
Se você não acha legal, se você não consegue sair sem seu filho junto, você não está errada.
Se você sai sem ele de vez enquando, você também não está errada.
Eu, parei de neura! Eu sei que somos bons Pais e não é por que saímos 2 vezes sem nosso filho que seremos ‘desqualificados’ como tal. Obviamente essas saídas não viraram rotina por aqui. Estou falando de saídas aleatórias, ou seja: de vez enquando!
Acho que deixar o filho ‘com a vó’ todo final de semana para sair, já é demais, não acho bacana (EU, minha opinião).
Assim como acho que ter vontade de sair e não fazê-lo só por que -de repente- poderá ser julgada como uma ‘mãe ruim’ também não é legal. Se você tem vontade sair para um momento ‘marido-mulher’, se tem com quem deixar seu filho, por que não fazer? Uma vez que outra, acho que não faz mal não! Acho até saudável.
Repito: se você tem vontade! Isso que falei não se aplica para as pessoas que não tem essa vontade, porque obviamente, elas não querem sair sem seus filhos. E como disse antes: essas pessoas não estão erradas por pensar assim.

Obvio que amamos sair com nosso filho. Fizemos tudo com ele, vamos aos lugares que são bons pra ele, sempre pensamos nele em primeiro lugar. Mas não posso negar que um momento só nosso, uma vez que outra, também é maravilhoso!

camila vidal

 

 

 

 

 

 

 

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