A escolha do Hospital!

a escolha do hosp

Oi pessoal, hoje vou contar a estória de como foi que eu escolhi o Hospital que meu filho nasceu, os critérios que usei, e o mais importante: os critérios que não usei!

Eu moro em São Leopoldo (Região metropolitana), mas trabalhava em Porto Alegre, e quando engravidei nada mais natural do que achar uma GO em PoA já que a maior parte do dia eu passava lá, e caso acontecesse alguma coisa comigo seria muito mais fácil ir a um hospital de lá do que vir até minha cidade.

Depois que encontrei a obstetra, uma das primeiras coisas que falamos foi sobre o Hospital. Ela me deu 4 opções de Hospitais que ela atendia, desses 4 o meu plano de saúde cobria 3, e desses 3 ela me sugeriu/aconselhou 1. Disse que era um hospital referência, que ela confiava e que achava que seria a melhor opção pra nós. Depois dessa conversa comecei a pesquisar sobre o Hospital, e entrei em contato com o Plano de Saúde e com o próprio hospital para conferir a cobertura dos procedimentos.  Depois pesquisei muito na internet, perguntei para várias pessoas se conheciam o hospital e se já tinham precisado dele, ou se conheciam alguém que ficara internado lá. A unanimidade nas respostas era absoluta: o Hospital era ótimo em todos os quesitos!
O hospital era limpo, organizado, o atendimento era nota mil desde a recepcionista até os médicos, a comida era boa, as acomodações excelentes, a maternidade era tudo de bom e as gestantes eram respeitadas e super bem tratadas. Enfim, eu nunca vi nenhum ponto negativo, nem na internet nem nas pesquisas de campo. Minha maior preocupação era com relação ao Parto, já que a maioria dos Hospitais não respeita as parturientes (e tem mais toooodos aqueles problemas que já sabemos que acercam um parto hospitalar, e que eu queria evitar), mas depois de ouvir alguns relatos fiquei tranquila quanto a isso.
Minha ultima pesquisa foi com um colega de trabalho que anteriormente vendia equipamentos médicos. Ele elogiou muito o Hospital. Falou que compravam ótimos equipamentos, que era realmente uma referência e que eu poderia ir tranquila que seria bem atendida. Falou inclusive que eles tinham reformado a UTI recentemente e tava ‘TOP’. Esse colega – que entende muito do assunto- dizer que o Hospital era muito bom foi o que eu precisei ouvir para me decidir por ele: O Hospital Divina Providência era meu escolhido.

Depois que contei para a família sobre minhas decisões começou uma guerra! Pra começar ninguém queria que eu Parisse! Todos queriam que eu marcasse cesárea, e só depois de muita briga o povo parou de me incomodar por causa disso, porque sabiam que eu não mudaria de ideia.
Quando eu falei sobre o Hospital, aí começou a incomodação pra valer… Porque o Hospital além de ser em Porto Alegre, é necessário atravessar a cidade pra chegar nele. Dá uns 50km da minha casa até lá! Isso com uma RS, uma BR e o trânsito caótico de uma Capital no meio, ou seja: o povo achou que eu tinha enlouquecido de vez! Como eu queria ganhar Gael de Parto, todas as pessoas só sabiam dizer:

‘E se tua bolsa estourar em pleno horário de pico?’ (essa era a pérola que mais ouvia de todos os lados)

‘E se não der tempo de você chegar lá?’

‘Esse guri vai nascer no carro hein!?’

‘Camila, não vai dar tempo, escolhe um Hospital mais perto!’

‘Tu que sabe, mas é arriscado…’

Enfim, eu ouvia muitas criticas e nenhum apoio. Nenhum.

Mas eu coloquei na minha cabeça que queria ganhar o guri lá, e depois que eu coloco uma coisa na cabeça muitos argumentos convincentes são necessários para me fazer mudar de ideia, e ‘minha bolsa estourar no horário de pico’, certamente não era um deles. Eu estava convencida de que aquilo seria o melhor pra nós, mesmo com todos lutando contra.

Mas mesmo convencida de que tinha tomado a melhor decisão, eu estava me incomodando tanto por causa disso, que por 4 vezes eu cheguei a marcar consulta com outras GOs aqui na minha cidade. Aqui bem pertinho de casa (em NH) tem 2 hospitais bem bons também, então eu ia trocar de médica e de Hospital no meio da gestação… Mas eu não consegui! Das 4 consultas que marquei eu fui apenas em 1, e essa GO só fazia cesárea, então se eu quisesse ficar com ela teria que abrir mão do Parto, o que não rolou.

As demais consultas com as outras GOs eu nem fui, chegava no dia eu desmarcava, parece que alguma coisa me dizia que era no Divina Providência que eu tinha que ganhar meu filho. Era lá, só poderia ser lá.
Então o maridão foi em uma consulta comigo e a médica acalmou ele, falando que mesmo se ‘minha bolsa estourasse no horário de pico’ (rsrsr) daria tempo de chegar tranquilamente ao hospital. Que no mundo real os partos não acontecem como nas novelas da Globo, onde a bolsa rompe e a mulher tem 10 minutos pra chegar ao Hospital (risos, muitos risos). Ok, o marido não estava totalmente convencido, mas fizemos a visitação no Hospital e por uns dias ele parou de me atucanar. Ele não queria aquilo, mas parou um pouco de lutar contra.

Como vocês sabem, Gael não nasceu de parto, ele nasceu de cesárea! Ele nasceu no Hospital que eu escolhi e tudo o que eu pesquisei, tudo aquilo que me falaram é realmente verdade. O Hospital é demais! É limpo, (muito limpo), organizado, o atendimento é nota mil de todos os funcionários, a comida é boa, a acomodação é um espetáculo, os equipamentos são ótimos,  as enfermeiras e técnicas são uns amores e você é tratada quase como Rainha e seu filho como Príncipe. Eles trataram muito bem o Gael, muito bem mesmo, com a delicadeza que um RN merece. Enfim, das coisas que eu pesquisei, e que na verdade achei que eram as mais importantes todas condiziam com os relatos que ouvi.

Mas tem uma coisa, apenas uma coisa que eu nunca pesquisei e que foi a que mais precisei: UTI Neonatal! Eu nem sabia se aquele hospital tinha UTI, aliás, eu sabia! Lembram-se do colega que vendia equipamentos médicos? Pois é, quando perguntei para ele sobre o hospital ele havia me falado que eles tinham reformado a UTI e que os equipamentos e os profissionais eram de primeira. Vocês acham que eu ouvi aquilo? Acham que eu dei bola? Eu nem liguei pra aquele papo de uti, afinal, não me passava pela cabeça que iria precisar disso. É verdade, podem me julgar se quiserem, mas eu realmente nunca pensei nisso!

E pensando nas coisas que eu não pensei na época, que resolvi fazer esse post. Porque de repente estarei ajudando outra mãe que está fazendo como eu fiz. Então, meu conselho é: pensem nisso! Se você pensa como eu pensava e acha que não vai precisar de UTI por ser gestante baixo risco, reveja seus conceitos. Se tens opção de escolher o hospital, escolha um com uma boa UTI, ou que pelo menos possua uma.

LÓGICO que não estou dizendo que vai precisar, mas estou dizendo E SE precisar. Pensem em todas as possibilidades! Nós não queremos que coisas ruins aconteçam, mas elas acontecem. Nós não queremos que o plano saia do curso que traçamos, mas ele sai. Pense que SE alguma coisa acontecer, você tem que estar cercada com todo o recurso que puder. Hoje eu penso muito em tudo o que aconteceu, e acho que quando eu batia o pé que queria ganhar meu filho lá, já era meu instinto de mãe gritando dentro de mim!

E SE eu tivesse em outro hospital será que o atendimento teria sido tão ágil?

E SE eu tivesse em outro hospital será que a infecção do Gael teria sido detectada rápido como foi lá?

E SE eu tivesse em outro hospital sem UTI Neo e meu filho precisasse ser removido, dependendo de leito em outro hospital as coisas teriam o mesmo desfecho?

E SE meu convenio não cobrisse internação para UTI, ou se o hospital não aceitasse, como nós pagaríamos a conta que ultrapassou 100 mil reais? Não sei! Realmente não sei nenhuma dessas respostas. O que sei é que aprendi muito com essa experiência: aprendi a pensar no impensável, a cogitar as impossibilidades, aprendi que as coisas fogem do nosso controle, aprendi que precaução nunca é demais, e aprendi que eu sei o que é melhor pra mim e para meu filho, mesmo que o mundo esteja dizendo ao contrário.

Espero que minha experiência ajude vocês em alguma coisa, espero que vocês também passem a pensar nas impossibilidades.
Pensar no que pode dar errado não é pessimismo, não é ‘mau agoro’… é precaução! E se tratando da vida e do bem estar dos nossos filhos, precaução nunca é demais!

camila vidal

 

 

 

*Ah, mas e as pessoas que quase me ‘tiraram do juízo’ por causa disso? Hoje elas sabem que estavam erradas, e depois de tudo o que aconteceu me falaram: que bom que você escolheu aquele Hospital. Que bom que você ganhou o Gael lá.

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