O dia que meu mundo desabou (a entrada na UTI).

Eu tive duas grandes motivações para criar o blog e a Page: amamentação (ou melhor, a ‘não amamentação) e a UTI. Nesse relato eu conto como foi esse dia massacrante na minha vida. Conto como foi ouvir da médica que meus planos tinham mudado completamente, e agora tudo estava nas mãos deles e de Deus, é claro!

cti22

Eu, tive uma gestação tranquila. De maneira geral bem tranquila. Fiz todos os exames possíveis e imagináveis (acho até que fiz exames demais). Com exceção do ‘6º mês’ de gestação, em todos os outros eu fiz ecografia, inclusive teve mês que eu fiz duas ecos. Eco de rastreio, eco com Doppler, eco transvaginal, eco normal, eco cardio, eco morfológica, eco com isso, eco com aquilo, enfim… Ecografia era meu sobrenome. Exame de sangue e de urina também fiz vários. Fiz uma ‘bateria’ antes de engravidar e durante os 9 meses fiz mais 3 vezes. Ah, fora o exame de strepto e o da glicose. Enfim… Tudo que a GO mandava lá estava eu fazendo. E tudo estava sempre certinho. Rastreio normal, transnucal normal, possibilidade de aborto espontâneo baixa, coração normal, morfológica normal. Gravidez baixo risco pra tudo, tudo perfeito.

Beleza.

Depois que Gael nasceu ainda na recuperação tentei amamentá-lo e ele não queria de jeito nenhum. Depois de uns 15 minutos tentando a enfermeira observou que a respiração dele não estava legal e achou que ele estivesse com um pouquinho de frio e sugeriu leva-lo por uns minutos para o berço aquecido.  Eu permiti, e lá ele ficou uns 10 minutos. Quando voltaram (o maridão foi com ele) tentei amamentar mais 3 vezes e nada.

Fui para o quarto às 18 horas e nesse dia não tentei mais, pois eu estava cansada e ele só dormia. No dia seguinte, começamos a batalha da amamentação novamente.  O dia todo foi um vai e vem de enfermeiras e técnicas no quarto para me ajudar na luta, afinal, ele tinha que mamar! Então numa dessas tentativas (isso já passava das 16h da tarde) uma técnica pegou ele, colocou a mão em seu peito e disse exatamente essas palavras: ‘essa criança não tá bem’!

Eu olhei pra ela, já desesperada, e ela me explicou que a respiração dele não estava normal. Ela Chamou outra técnica que veio com os aparelhos das verificações rotineiras e verificou febre e também a saturação. Ele estava sem febre e saturando bem (90%), mas sua respiração estava ofegante e seus batimentos que deveriam estar a 90bpm estavam a pouco mais de 40! Ou seja, algo errado muito estava acontecendo. Então ela disse que ia leva-lo para fazer exames.

Nessa hora o marido tinha ido comer sua primeira refeição do dia e fazer outras coisas pendentes e minha mãe estava comigo no quarto, meio sem entender nada também. E eu estava preocupada porque Gael estava sem mãe nem Pai com ele, então liguei pro marido subir pra ficar com ele junto nos exames. Por lá ficaram mais um tempo, ele passou mal no raio x e teve que ser aspirado e mais uma confusão se formou.

Gael voltou para o quarto enquanto os exames ficavam prontos e o marido teve que descer mais uma vez. De repente entra uma enfermeira no quarto e pergunta: ‘a médica já veio falar com você’?  Eu respondi que não. Nessa hora eu já não sabia mais o que pensar, já estava louca… Quando de repente entra a médica e pergunta se seu a mãe do Gael.

Então, replicando as palavras dela (as quais eu jamais esquecerei): ‘ Ele tá com um problema, com uma infecção, e pelo que deu pra ver é no pulmão mas teremos que fazer mais exames pra verificar se não tem em mais algum lugar. É uma infecção séria e ele vai ser internado agora, precisa começar o tratamento imediatamente! Já vou lá em baixo solicitar a baixa dele’.

Sabem o que eu disse pra ela? –tá bom!
A única coisa que eu consegui falar foi ‘tá bom’!
Eu não conseguia pensar, eu não conseguia agir, eu não conseguia nem me mover, fiquei ali sentada na cama por vários minutos tentando voltar a si, tentando fazer alguma coisa, mas eu não conseguia nada. Nada. Eu fiquei sentada na cama do hospital chorando e minha mãe sentada de frente pra mim falando comigo, tentando me consolar… Quando eu voltei ‘do transe’, lembrei que o marido estava lá em baixo, então liguei pra ele e falei que Gael seria internado pra ele subir logo.  Nesse meio tempo minha mãe tentava me acalmar, dizendo que era melhor ele ir se tivesse alguma coisa pra se tratar de uma vez. Minha mãe é cardíaca, e eu não queria que ela estivesse ali naquele momento, eu estava desesperada mas  não queria preocupa-la mais. Segurei o quanto pude, mas desabei. Me vi em prantos, e por mais que eu quisesse parar eu não conseguia. EU não conseguia me controlar e o desespero tomou conta de mim. Eu só pensava por que? por que tá acontecendo isso? Eu fiz tudo certo, eu me cuidei, eu fiz exames, por que ele tá doente? O que tá acontecendo? Alguém me acorda desse pesadelo, por favor!

O marido chegou sem entender nada também e me questionou o que tava acontecendo. Mas eu pouco pude explicar a ele, por que a verdade é que eu não sabia o que estava acontecendo!

Logo a enfermeira já veio para leva-lo para UTI. O marido foi fazer a baixa dele e eu fui acompanha-lo até a Unidade e chegando lá dei um beijinho nele e tive que ficar do lado de fora vendo ele entrar naquela sala sem saber o que nos esperava daquele momento em diante.

Não saber o que está acontecendo e o que vai acontecer é a pior sensação que pode existir. Eu não sabia de nada, por que eu nem tinha conseguido questionar a médica no momento que ela foi conversar comigo. Nunca havia sentido isso antes e falando até parece mentira, mas não é! Eu simplesmente não estava conseguindo absorver tudo aquilo, eu tava meio ‘zonza’, meu corpo estava ali mas minha mente era um vazio enorme com apenas uma pergunta: Por que?  Eu só conseguia chorar. Nada mais. Eu só chorava e tentava entender! De onde essa infecçao, por que essa infecção? Por que com ele e não comigo?

Ele internou por volta das 17h e nós só conseguimos entrar na UTI as 20h. Então pudemos questionar a médica para entender o que realmente estava acontecendo. E mesmo com todos os questionamentos não houve uma explicação lógica para o fato. Simplesmente ele nasceu com essa infecção. Sabe-se Deus de onde, sabe-se Deus por que.
As médicas disseram que eu transmiti essa infecção a ele de alguma forma. Mas eu não tive bolsa rota, não tive infecção durante a gestação, Gael nasceu a termo (39+6) e eu já tinha começado a dilatar e também sentia contrações há 1 semana! Todas as opções pareciam insuficientes para explicar o porquê aquilo estava acontecendo com ele, mas algumas médicas insistiram na questão da bolsa rota, porque algumas vezes a bolsa rompe e sai beeem pouquinho liquido, quase não dá pra perceber. Mas minha GO disse que a bolsa estava íntegra. Então… ficou uma coisa meio sem explicação (pelo menos pra mim.

Depois desse dia foram mais incansáveis 11 dias. 11 dias de pavor, 11 dias de medo, 11 dias de angustia, 11 dias de incertezas e de cansaço… muito cansaço tanto emocional quanto físico. Não foi fácil, nada fácil!
Não sei direito de onde tiramos força pra encarar isso e superar esse obstáculo, mas de algum lugar ela saiu e nós fomos vitoriosos.
Essa internação dele veio para me mostrar que não temos o controle das coisas, que nem tudo sai como queremos. Por mais que façamos planos e tudo pareça estar indo de acordo, de uma hora pra outra as coisas podem mudar e virar sua vida do avesso.
Agradeço a Deus todos os dias pela vida do meu pequeno pedacinho e agradeço por tudo ter dado certo no final.

camila vidal

 

 

 

**Em breve farei um relato sobre como foram os 11 dias de UTI.

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